NÚMEROS DO EMPREENDEDORISMO

Número de empreendedores; idade dos empreendedores, idade média dos empreendedores de sucesso, empreendedores de startups, universidades e ensino do Empreendedorismo...

580 milhões de empreendedores em todo o mundo, sendo que 252 milhões são do sexo feminino (43 %); números estes de dezembro de 2023, avançados pela Demand Sage, empresa de dados de Boston.
Os EUA lideram no número de empreendedores, onde foram contabilizados 31 milhões, num país onde em média são necessários somente 6 dias para iniciar um pequeno negócio.
Relativamente à idade dos empreendedores há o mito ou crença que os empreendedores de sucesso são normalmente jovens, como Bill Gates e Mark Zuckerberg, que tinham idade na casa dos vinte anos quando lançaram as suas empresas, mas a realidade e os dados indicam que a idade média dos empreendedores quando fundaram as suas empresas é de 42 anos, segundo uma pesquisa de Madeline Garfinkle, publicada na Entrepreneur e na Harvard Business Review em 2023 e que usou um conjuntos de dados administrativos confidenciais do U.S. Census Bureau. Um estudo mais antigo, datado de 2018, de uma equipa da Harvard Business Review (Azoulay, Jones, Kim, Miranda), refere os 45 anos como a idade média dos fundadores de startups de sucesso, ou seja, stratups com maior valor de crescimento.
Investigadores do Rensselaer Polytechnic Institute, instituição de ensino superior norte-americana localizada em Troy, no estado de Nova Iorque, descobriram em 2020 que os negócios iniciados por pessoas na casa dos 50 anos têm mais sucesso, o que é confirmado por uma outra pesquisa mais recente, desta vez no Brasil, que revela que os empreendedores com mais de 50 anos têm maiores hipóteses de sucesso (Pioneiro Economia, 2022).
As razões para um empreendedor de sucesso ser um indivíduo mais velho prendem-se com o facto deste ter adquirido mais hard skills e ter mais experiência que um jovem empreendedor e também com a questão económica, isto é, disponibilidade financeira para investir no início do negócio. Prova disso são: Steve Jobs e a Apple, que introduziram a inovação mais lucrativa da empresa, o iPhone, quando Jobs tinha 52 anos e Jeff Bezos e a Amazon, que foram muito além da venda de livros on-line, e a sua taxa de crescimento do valor de mercado da Amazon foi mais alta quando Bezos tinha 45 anos.
Há, no entanto, grande variação da média de idades dos empreendedores, em função dos setores; nas startups de software a idade média é de 40 anos e não é incomum jovens fundadores na casa dos 20 ou 30 anos, revela um estudo de Hervé Lebret, de 2021.
A criação de empresas é um dos indicadores que podemos utilizar para avaliar o nível ou números do Empreendedorismo em cada país. Quanto a Portugal, existe algum dinamismo na criação de novas empresas e segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), nasceram em 2021 cerca de 187 mil empresas, o que equivale a um crescimento de 21,2% face a 2020, para um número total de 1.359.035.
Segundo o GEM (Global Entrepreneurship Monitor) 2019/2020, que mede a atividade empreendedora em vários países, refere que em Portugal a atividade empreendedora Early-stage (Taxa TEA), ou seja, em fase inicial, em 2019, registou uma taxa TEA de 12,9%, resultado bastante superior ao de 2016 (8,2%, aumento superior a 50%). Este resultado insere-se numa tendência de aumento da taxa TEA em Portugal, existindo um maior número de empreendedores early stage no país (cerca de 13) por cada 100 indivíduos em idade adulta (entre18-64 anos). Portugal acompanha a tendência registada em alguns países de referência no empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios, tais como os EUA e o Canada, nos quais se verifica também uma elevada taxa TEA durante o período em análise. A taxa TEA registada em Portugal é ainda relativamente alta dentro do grupo das economias de rendimento alto, posicionando-se no 20º lugar (em 2016 ocupava o 44º lugar).
Há também alguns números interessantes relativos ao Empreendedorismo, que estão ligados à formação superior na área do Empreendedorismo. A denominada educação para o empreendedorismo ou educação empreendedora abrange hoje, tanto a educação empresarial, como a educação para o empreendedorismo. Alguns estudos referem que, quanto maior for o grau de ensino, maior é a probabilidade do aluno ser empreendedor e assim contribuir para o número de empreendedores, por exemplo alunos que detêm o grau de licenciado, mestre ou doutorado são mais que os empreendedores com ensino básico ou secundário.
Universidades e escolas de negócios desempenha um papel importante na formação de alunos, profissionais e pessoas empreendedoras. Assim, em 2023, as melhores universidades do mundo relativamente ao número de Empreendedores formados situam-se nos EUA: 1- Stanford University, 2 - UC Berkeley e 3 - Harvard University, segundo a PitchBook, uma empresa de dados financeiros e software com escritórios em Londres, Nova Iorque, São Francisco e Seattle.
A Universidade do Porto foi a instituição de ensino superior portuguesa com mais empreendedores a sair da sua comunidade, com 358 empreendedores, dos quais 338 fundaram start-ups (Startup Portugal, 2023).
O crescimento consistente do Empreendedorismo em Portugal; do tecido empresarial ativo português culminou em 2023 com um recorde na criação de empresas no nosso país; pela primeira vez desde que existem registos foram superadas as 50 mil constituições de empresas num só ano. Foram criadas 51 320 empresas em Portugal, um registo que ultrapassa pela primeira vez as 50 mil, sendo o mais elevado de sempre. Face a 2022, a constituição de empresas cresceu 4,7% (+2 302 constituições), mantendo a recuperação que se tem verificado após a queda em 2020, no primeiro ano da pandemia (Informa D&B, janeiro de 2024).
O Empreendedorismo está hoje intimamente ligado ao crescimento económico e tem impacto na economia de cada país, não só na criação de emprego, de novas empresas e gerar riqueza, mas também na inovação, que é estratégica para empresas, setores e nações. De referir que, Inovação pressupõe Empreendedorismo. A inovação é vital para garantir a sobrevivência das empresas, das indústrias e dos ecossistemas das economias e dos países (Haneda & Ito, 2018; Tidd & Bessant, 2009). Tidd & Bessant (2009) utilizam a expressão ‘a inovação importa’, para referir a sua importância para o sucesso, vantagem competitiva, rentabilidade e sustentabilidade das empresas.
  (Vítor Freitas / 12-02-2024)
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LINKS:
GEM 2022/2023
https://gemconsortium.org/report/20222023-global-entrepreneurship-monitor-global-report-adapting-to-a-new-normal-2

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